O presente trabalho é fruto das reflexões preliminares do projeto de dissertação em curso do Programa de Pós Graduação PPGSS/UFRJ. A investigação tornou a portal Gov.br como mirante, frente a tentar compreender o que seria o gov.br criado em 2019, e quais os impactos e avanços que esse novo governo digital trouxe para população usuária, que hoje necessita ter o login e a senha da plataforma gov para poder acessar todos os 4.832 serviços digitais dos 234 órgãos do governo (Brasil, 2026).
A escolha metodológica para a realização deste trabalho se deu por um levantamento bibliográfico a respeito do tema e foram utilizados autores referências para compreender conceitos importantes como dataficação (Zuboff), tecnologias (Pinto, 2005), capitalismo (Marx), cidadania (Coutinho, 2018) e transformação digital (Castells, 2005). Além de uma análise documental através das normativas, portarias e fontes de dados.
Neste sentido, o trabalho propõe tentar compreender o que é o gov.br e quais as suas implicações e inferências no cotidiano da população, frente a digitalização dos serviços do governo, condicionando seu acesso por meios digitais, com a devolutiva de levar mais eficácia, cidadania e facilidade para a população usuária. Debatendo a dataficação desses dados coletados e sua falta de transparência quanto à sua utilização.
O Governo brasileiro desde os anos 2000 tem se dedicado ao avanço com apoio das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e nos dias atuais tem atuado com a transformação de um governo digital.
O portal Gov.br que foi criado em 2019, atualmente, possibilita ao usuário acessar diversos sistemas do governo com um único login e senha, podendo ser através do site ou aplicativo. É disponível para qualquer cidadão brasileiro ou estrangeiro que tenha registro na base de dados do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). O painel de monitoramento dos serviços federais destacou que 63% não consideram um bom serviço da página e somente 37% acham um conteúdo válido (Brasil, 2026, s.p.). O Gov é um exemplo nítido dos dias atuais em que vivenciamos a automatização e a dataficação da vida.
Os autores Faustino & Lippold (2023), destacam na prática o que se trata o colonialismo de dados, essa mercantilização da vida, numa subsunção e extração dos dados, que são utilizados de forma pensada e que proporcionam para quem tem o domínio desses dados: o poder. E esse controle, a autora Zuboff (2018), vai abordar na sua obra como um surgimento de um novo capitalismo: Capitalismo de Vigilância.
Portanto, a pesquisa em curso busca demonstrar que essa transformação digital do governo tem como foco a economia dos recursos públicos e a vigilância constante da população, sem se preocupar que na prática signifique a burocratização no acesso a direitos da população usuária, que na sua grande maioria não possui os meios telemáticos para acessar.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)